O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (6) um decreto para elevar as importações de determinados cortes de carne bovina, segundo informe da Casa Branca.
A medida prevê, para 2026, a expansão de importação de determinadas “aparas de carne bovina magra” em 80 mil toneladas. O decreto ainda estabelece que as compras “são atribuídas na sua totalidade à Argentina“.
“Como Presidente dos Estados Unidos, tenho a responsabilidade de garantir que os americanos trabalhadores possam se alimentar e alimentar suas famílias. […] Estou tomando medidas para aumentar temporariamente a quantidade de importações dentro da cota de aparas de carne bovina magra, […] a fim de aumentar a oferta de carne moída para os consumidores americanos”, escreve Trump no comunicado.
O decreto parte da premissa de uma lei norte-americana que permite ao presidente redefinir importações em casos de oferta inadequada de um produto, “devido a um desastre natural, doença ou grande perturbação do mercado nacional, para atender à demanda interna a preços razoáveis”.
No documento, o presidente norte-americano elenca uma série de fatores que levaram à redução da produção de gado em solo norte-americano:
- Um período de seca em 2022;
- Incêndios florestais que afetaram as pastagens do oeste dos EUA ;
- Contaminação de rebanhos vindos do exterior, o que levou à restrição de animais vivos provenientes do México ou em trânsito pelo país.
Em um mercado de demanda elevada por carne bovina – maior consumidor em volume, seguido de perto pela China e Brasil -, os preços subiram.
O governo norte-americano aponta que desde janeiro de 2021, os preços da carne moída subiram a uma média de US$ 6,69 por libra em dezembro de 2025 — o valor mais alto desde que o Departamento do Trabalho começou a monitorar os preços da carne bovina na década de 1980.
“O Secretário da Agricultura continuará a monitorar o fornecimento interno de aparas de carne bovina magra, conforme julgar apropriado […]. O Secretário da Agricultura, em consulta com o Representante Comercial, me informará sobre quaisquer circunstâncias que, em sua opinião, possam indicar a necessidade de medidas adicionais e me recomendará quaisquer medidas adicionais que eu deva tomar, se necessário”, pontua o documento.
Acordo com Argentina
Na quinta-feira (5), Argentina e EUA fecharam um acordo comercial para ampliar os negócios e investimentos entre os países.
O “Acordo de Comércio e Investimentos Recíprocos” prevê “uma relação estratégica entre ambos os países, baseada na abertura econômica, em regras claras para o intercâmbio internacional e em uma visão moderna da complementaridade comercial”, segundo comunicado oficial do presidente argentino, Javier Milei.
Entre as medidas previstas no acordo, estão:
- A redução de barreiras tarifárias e não tarifárias: segundo a Chancelaria da Argentina, os EUA eliminarão suas tarifas recíprocas para 1.675 produtos argentinos em “uma ampla gama de setores produtivos”. Expectativa é de recuperar US$ 1 bilhão em exportações. Além disso, o governo dos Estados Unidos ratificou seu compromisso de revisar as tarifas sobre o aço e o alumínio;
- Facilitação do comércio de bens e serviços: o governo dos Estados Unidos concederá ampliação a 100.000 toneladas para o acesso preferencial da carne bovina ao seu mercado, o que permitirá aumentar em cerca de US$ 800 milhões as exportações argentinas do produto;
- Modernização dos procedimentos aduaneiros;
- Promoção do investimento em setores estratégicos como energia, minerais críticos, infraestrutura e tecnologia: os EUA trabalharão, por meio de instituições como o EXIM Bank (Banco de Exportações e Importações dos Estados Unidos) e a DFC (Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), para apoiar o financiamento de investimentos em setores críticos da Argentina, em colaboração com o setor privado norte-americano.
Em contrapartida, a Argentina vai:
- Eliminar taxas sobre 221 posições tarifárias, como máquinas, material de transporte, dispositivos médicos e produtos químicos;
- Reduzir para 2% outras 20 posições, principalmente autopeças;
- Conceder cotas para veículos, carne e outros produtos agrícolas.