Transição para El Niño já está em curso e preocupa especialistas

A transição para o fenômeno climático El Niño já começou no Oceano Pacífico e pode trazer impactos significativos nos próximos meses. A informação é da MetSul Meteorologia, que aponta sinais claros de reorganização atmosférica e aquecimento das águas na faixa equatorial.

De acordo com a análise, fortes rajadas de vento registradas no Pacífico Oeste têm empurrado grandes volumes de água quente em direção à porção central e leste do oceano. Esse deslocamento de calor é considerado um dos principais indicativos de que o sistema climático está migrando de uma condição neutra para um evento de El Niño.

Especialistas destacam que a chamada “piscina de águas quentes” no Pacífico Oeste atingiu temperaturas excepcionalmente elevadas. Esse excesso de calor acumulado tende a ser redistribuído ao longo da faixa equatorial, favorecendo o aquecimento da superfície do mar — condição essencial para a consolidação do fenômeno.

Impactos podem ser amplos

O aumento da temperatura das águas oceânicas influencia diretamente a atmosfera, ampliando a formação de nuvens e potencializando episódios de chuva intensa em diversas regiões do planeta. Eventos recentes de precipitações extremas em países do Pacífico Sul foram associados a esse aquecimento anormal das águas.

O El Niño costuma provocar alterações significativas nos padrões climáticos globais. Na América do Sul, por exemplo, pode resultar em chuvas acima da média no Sul do Brasil e em períodos de estiagem no Norte e Nordeste. Também pode interferir na temporada de furacões no Atlântico e modificar regimes de monções na Ásia.

Peru já pode sentir efeitos antecipados

Antes mesmo da consolidação de um El Niño clássico, meteorologistas alertam para a possibilidade de ocorrência do chamado “El Niño Costeiro”, que afeta principalmente o litoral do Peru. Esse tipo de evento é caracterizado pelo aquecimento das águas próximas à costa e costuma provocar chuvas volumosas, alagamentos e transtornos à população.

Autoridades peruanas já acompanham o cenário com atenção, diante do risco de precipitações intensas e impactos na infraestrutura urbana.

Tendência para os próximos meses

Atualmente, o Pacífico Equatorial ainda se encontra oficialmente em condição neutra, ou seja, sem a presença consolidada de El Niño ou La Niña. No entanto, os indicadores atmosféricos e oceânicos apontam para uma evolução gradual do aquecimento ao longo do outono e do inverno no Hemisfério Sul.

Caso o fenômeno se confirme, ele poderá atingir intensidade moderada a forte na segunda metade do ano, elevando o risco de eventos climáticos extremos em diferentes partes do mundo.

Segundo a MetSul, o monitoramento contínuo das temperaturas da superfície do mar e da circulação atmosférica será fundamental nas próximas semanas para determinar a intensidade e a duração do evento.

Fonte: MetSul Meteorologia

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