Tragédia na Zona da Mata: Chuvas Deixam 64 Mortos em Juiz de Fora e Ubá e Mobilizam Força-Tarefa em MG

A sequência de temporais que atinge a Zona da Mata Mineira desde a última segunda-feira (23) provocou uma das maiores tragédias recentes da região. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, 64 pessoas morreram em decorrência de deslizamentos e enchentes — sendo 58 vítimas em Juiz de Fora e seis em Ubá.

Além das mortes confirmadas, cinco pessoas seguem desaparecidas: três em Juiz de Fora e duas em Ubá. As buscas continuam em áreas de difícil acesso, com equipes atuando sob risco de novos deslizamentos.

Bairros mais atingidos em Juiz de Fora

Em Juiz de Fora, cidade com mais de 570 mil habitantes e considerada polo regional da Zona da Mata, os estragos se concentram em áreas de encosta e regiões historicamente vulneráveis.

O trabalho dos bombeiros ocorre principalmente nos bairros:

  • Paineiras
  • JK (Comunidade Parque Burnier)
  • Linhares

Na quinta-feira (26), um novo deslizamento no Bairro Bom Clima atingiu três residências e deixou uma pessoa desaparecida. A instabilidade do solo tem dificultado o acesso das equipes de resgate, que precisam aguardar avaliações técnicas antes de avançar nas escavações.

Segundo a prefeitura, já foram registradas 1.696 ocorrências pela Defesa Civil desde o início das chuvas. O número de desabrigados e desalojados chega a aproximadamente 4,2 mil pessoas.

Situação crítica também em Ubá

Em Ubá, município com cerca de 120 mil habitantes e referência nacional no setor moveleiro, as enchentes também causaram destruição significativa, principalmente em áreas próximas a cursos d’água urbanos.

As duas pessoas ainda desaparecidas são procuradas em regiões afetadas por deslizamentos e enxurradas. A prefeitura trabalha na montagem de abrigos provisórios e na distribuição de donativos.

Histórico de desastres na Zona da Mata

A Zona da Mata Mineira possui relevo acidentado e urbanização consolidada em encostas, fatores que ampliam o risco em períodos de chuva intensa. Ao longo das últimas décadas, Juiz de Fora já enfrentou episódios severos de enchentes e deslizamentos, especialmente durante o verão.

Especialistas apontam que o crescimento urbano desordenado, a ocupação irregular de áreas de risco e a drenagem insuficiente contribuem para a repetição desse tipo de tragédia.

A frequência cada vez maior de eventos extremos também levanta discussões sobre mudanças climáticas e adaptação urbana, tema que volta ao centro do debate após o volume elevado de precipitação registrado nesta semana.

Alerta de perigo permanece vigente

O Instituto Nacional de Meteorologia mantém alerta de perigo para chuvas intensas até as 23h59 desta sexta-feira (27) na Zona da Mata.

A previsão indica:

  • Chuva entre 30 e 60 mm por hora ou 50 a 100 mm por dia
  • Ventos de 60 a 100 km/h
  • Risco de queda de energia elétrica
  • Possibilidade de queda de árvores
  • Alagamentos e descargas elétricas

A recomendação é que moradores evitem áreas alagadas, não atravessem enxurradas e procurem abrigo seguro em caso de sinais de deslizamento, como rachaduras em paredes e inclinação de árvores ou postes.

Impactos sociais e econômicos

Além das perdas humanas, os danos estruturais afetam diretamente o comércio local, o transporte público e o funcionamento de escolas e unidades de saúde. Em Juiz de Fora, diversas vias foram interditadas, comprometendo a mobilidade urbana.

No caso de Ubá, o impacto atinge também o setor moveleiro, motor da economia local, com galpões e estoques prejudicados pela água.

Especialistas alertam que a reconstrução pode levar meses e exigirá investimentos significativos em infraestrutura, drenagem urbana e políticas habitacionais para reduzir a vulnerabilidade da população.

Solidariedade e mobilização

Campanhas de arrecadação de alimentos, roupas e produtos de higiene foram organizadas por entidades civis e igrejas nas duas cidades. A prioridade neste momento é garantir abrigo e assistência básica às famílias afetadas.

Enquanto as equipes seguem nas buscas por desaparecidos, a população da Zona da Mata enfrenta dias de luto, apreensão e reconstrução.

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