🌧️ Volume de chuva supera marcas históricas e deixa rastro de destruição
As fortes tempestades que atingem a Zona da Mata mineira desde segunda-feira (23) já provocaram 36 mortes, segundo dados atualizados do Corpo de Bombeiros. O município de Juiz de Fora concentra o maior número de vítimas, com 30 óbitos confirmados, enquanto Ubá registra seis mortes.
Além das vítimas fatais, há 33 pessoas desaparecidas — 31 em Juiz de Fora e duas em Ubá. Ao menos 208 moradores foram resgatados com vida pelas equipes de emergência. Em Matias Barbosa, também afetada pelas chuvas, não há registros de mortos ou desaparecidos até o momento.
Juiz de Fora contabilizou 584 milímetros de chuva acumulada apenas neste mês, tornando fevereiro o mais chuvoso da história do município. O volume registrado é mais que o dobro da média histórica esperada para o período, o que ajuda a explicar a magnitude dos estragos.
Impactos urbanos: bairros soterrados, casas destruídas e infraestrutura comprometida
O cenário nas áreas atingidas é de destruição generalizada. Deslizamentos de terra atingiram bairros construídos em encostas, enquanto enxurradas arrastaram veículos e invadiram residências em regiões mais baixas.
Em Ubá, choveu cerca de 170 milímetros em aproximadamente três horas e meia — um volume considerado extremo para um intervalo tão curto. O Rio Ubá atingiu 7,82 metros, transbordando em diversos pontos e inundando áreas centrais e bairros periféricos.
A combinação de ocupação irregular em morros, impermeabilização do solo e drenagem urbana insuficiente agrava historicamente os impactos das chuvas na região. Especialistas apontam que eventos extremos vêm se tornando mais frequentes, exigindo revisão urgente nos planos diretores e políticas de prevenção.
Buscas continuam sob lama e escombros
As operações de resgate seguem intensas e podem durar pelo menos mais cinco dias, segundo autoridades estaduais. Há grande volume de lama e entulho dificultando o trabalho das equipes.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, esteve em Juiz de Fora e afirmou que o suporte humanitário está sendo ampliado para atender desalojados e desabrigados.
Paralelamente, o governo federal anunciou repasse emergencial de R$ 800 por pessoa desabrigada para os municípios afetados. O recurso será destinado à compra de colchões, alimentos, roupas e itens de primeira necessidade. O anúncio foi feito pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin.
Reforço na saúde e assistência social
Equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e do Ministério da Saúde foram enviadas para a região. Médicos, enfermeiros e psicólogos atuam no atendimento emergencial, além da distribuição de kits com medicamentos e insumos básicos.
A Defesa Civil Nacional também deslocou oito técnicos especializados do Grupo de Apoio a Desastres (Gade) para acelerar ações de assistência, restabelecimento de serviços essenciais e planejamento da reconstrução.
Alerta: temporais continuam em Minas Gerais
A Defesa Civil estadual mantém alerta para novas tempestades nesta quarta-feira (25). A previsão indica acumulados de até 40 milímetros, rajadas de vento superiores a 70 km/h e possibilidade de granizo.
Há risco elevado de:
- Novos deslizamentos
- Alagamentos repentinos
- Queda de árvores
- Destelhamentos
A recomendação é que moradores de áreas de encosta ou próximas a cursos d’água redobrem a atenção e sigam orientações oficiais.
Histórico de enchentes na Zona da Mata Mineira
A Zona da Mata tem histórico recorrente de enchentes e deslizamentos, especialmente em períodos de chuva intensa no verão. Juiz de Fora, por exemplo, já enfrentou episódios críticos nas décadas anteriores, mas o volume atual supera registros anteriores.
Especialistas destacam que mudanças climáticas globais podem estar influenciando a maior frequência de eventos extremos, exigindo políticas públicas mais robustas em:
- Monitoramento meteorológico
- Contenção de encostas
- Planejamento urbano
- Educação preventiva
Impactos sociais e econômicos
Além da dor pelas perdas humanas, a tragédia traz consequências duradouras:
- Comércio local prejudicado
- Interrupção de aulas
- Danos à malha viária
- Risco de doenças associadas à água contaminada
A reconstrução pode levar meses ou até anos, dependendo do volume de recursos e da eficiência na execução das obras.