Tragédia histórica na Zona da Mata: chuvas em Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa deixam 22 mortos, 47 desaparecidos e centenas de desabrigados

A Zona da Mata mineira vive um dos capítulos mais tristes de sua história recente. As chuvas intensas que atingiram a região desde a tarde de segunda-feira (23) provocaram 22 mortes confirmadas, deixaram 47 pessoas desaparecidas e forçaram centenas de moradores a abandonarem suas casas, principalmente em Juiz de Fora e Ubá.

O volume acumulado em poucas horas superou previsões meteorológicas e expôs fragilidades antigas relacionadas à ocupação de áreas de risco, drenagem urbana insuficiente e crescimento desordenado. Em algumas cidades, o cenário foi de deslizamentos, desabamentos e rios transbordando com força destrutiva.

Juiz de Fora enfrenta o fevereiro mais chuvoso da história

Em Juiz de Fora, 16 mortes foram confirmadas até o início da tarde desta terça-feira (24). Segundo a prefeitura, 440 pessoas estão desabrigadas e ao menos 45 continuam desaparecidas.

O temporal começou no fim da tarde de segunda-feira e se estendeu pela noite, provocando:

  • Deslizamentos de encostas
  • Desabamento de residências
  • Alagamentos em vias centrais
  • Interdição de pontes e acessos

O município decretou estado de calamidade pública ainda na madrugada. As aulas da rede municipal foram suspensas por tempo indeterminado e equipes do Corpo de Bombeiros atuam em buscas contínuas.

Parque Burnier: o bairro mais afetado

O bairro Parque Burnier concentra uma das situações mais críticas. No local:

  • 12 casas desabaram
  • 20 pessoas foram dadas como desaparecidas
  • Nove foram resgatadas com vida
  • Quatro mortes foram confirmadas

Entre os desaparecidos há mais de cinco crianças, o que mobiliza ainda mais as equipes de resgate.

No Bairro Cerâmica, duas casas desmoronaram, deixando cinco integrantes da mesma família soterrados.

Rio Paraibuna transborda e paralisa áreas centrais

O Rio Paraibuna ultrapassou o nível de segurança e transbordou, assim como diversos córregos urbanos. O resultado foi:

  • Inundações no Centro
  • Bloqueio de pontes
  • Interrupção do tráfego
  • Comércio fechado

De acordo com a prefeitura, fevereiro já acumula 584 milímetros de chuva — o dobro do esperado para o mês e o maior índice já registrado na cidade.

Historicamente, Juiz de Fora sofre com episódios de enchentes devido à combinação de relevo acidentado, urbanização intensa e impermeabilização do solo. No entanto, o volume atual é considerado excepcional até mesmo para os padrões locais.

Ubá: seis mortes e avenida tomada pela água

Em Ubá, seis pessoas morreram e duas seguem desaparecidas.

O Ribeirão Ubá transbordou durante a noite, e a tradicional Avenida Beira Rio ficou completamente submersa.

Foram registrados 124 milímetros de chuva em apenas seis horas — volume suficiente para causar alagamentos severos, arrastar veículos e invadir residências.

Ubá já enfrentou enchentes históricas em anos anteriores, mas a intensidade concentrada em poucas horas ampliou o impacto desta vez.

Matias Barbosa também decreta calamidade

Em Matias Barbosa, o prefeito decretou estado de calamidade pública após enchentes atingirem diferentes bairros do município.

Ruas ficaram intransitáveis, famílias precisaram ser removidas e a estrutura de atendimento emergencial foi ampliada para acolher desalojados.

Impactos sociais e econômicos para a região

A tragédia não se resume às perdas humanas. Os impactos devem se estender por meses:

1️⃣ Crise habitacional temporária

Centenas de famílias perderam suas casas e dependem de abrigos públicos ou da solidariedade de parentes.

2️⃣ Prejuízos ao comércio

Alagamentos no Centro de Juiz de Fora e em áreas comerciais de Ubá interromperam atividades econômicas.

3️⃣ Pressão sobre a saúde pública

Ambientes alagados aumentam risco de doenças como leptospirose e infecções.

4️⃣ Infraestrutura comprometida

Pontes, vias e redes de drenagem sofreram danos que exigirão investimentos emergenciais.

Mudanças climáticas e eventos extremos

Especialistas alertam que episódios de chuva extrema vêm se tornando mais frequentes no Sudeste brasileiro. A combinação entre:

  • Aquecimento global
  • Fenômenos climáticos intensos
  • Urbanização sem planejamento

aumenta o risco de desastres como o que atinge agora a Zona da Mata.

O que acontece agora

As próximas horas são decisivas para as buscas por desaparecidos. A Defesa Civil mantém monitoramento constante de encostas e rios, enquanto equipes de resgate atuam de forma ininterrupta.

A população é orientada a:

  • Evitar áreas alagadas
  • Não atravessar pontes interditadas
  • Acionar a Defesa Civil em caso de rachaduras ou deslizamentos

Um luto que marca a história da Zona da Mata

A tragédia que atinge Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa já é considerada uma das mais graves da região nas últimas décadas. Além do impacto imediato, o episódio reacende o debate sobre políticas de prevenção, moradia em áreas de risco e investimentos em drenagem urbana.

A reconstrução será longa — e exigirá não apenas recursos públicos, mas mobilização social e planejamento estruturado para evitar que o cenário volte a se repetir.

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