Tragédia das Chuvas em Juiz de Fora: 14 Mortes, 440 Desabrigados e Transbordamento do Rio Paraibuna Levam Município a Decretar Calamidade Pública

As chuvas intensas que atingiram Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, nesta segunda-feira (23), deixaram um rastro de destruição, com ao menos 14 mortes confirmadas e cerca de 440 pessoas desabrigadas, segundo dados oficiais da Defesa Civil municipal. Diante da gravidade do cenário, a prefeitura decretou estado de calamidade pública.

O volume elevado de precipitação em poucas horas provocou alagamentos generalizados, deslizamentos de terra e o transbordamento do Rio Paraibuna, principal curso d’água que corta a cidade.


Onde ocorreram as mortes

As vítimas estavam em diferentes pontos do município, muitos deles localizados em áreas historicamente vulneráveis a deslizamentos e inundações. As ocorrências fatais foram registradas nas seguintes vias:

  • Rua Natalino José de Paula (4 mortes)
  • Rua Orville Derby Dutra (4 mortes)
  • Rua João Luís Alves (2 mortes)
  • Rua José Francisco Garcia (1 morte)
  • Rua Eurico Viana (1 morte)
  • Estrada Athos Branco da Rosa (1 morte)
  • Rua Jacinto Marcelino (1 morte)

Em grande parte desses locais, o que se verificou foram soterramentos causados por deslizamentos de encostas ou desabamentos estruturais após o encharcamento do solo.


Rio Paraibuna transborda e agrava cenário

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O transbordamento do Rio Paraibuna foi determinante para o agravamento da situação. O rio atravessa áreas densamente povoadas da cidade e, em períodos de chuva intensa, costuma apresentar elevação rápida no nível das águas.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, em poucas horas foram registradas mais de 40 chamadas emergenciais envolvendo:

  • Inundações em vias públicas
  • Casas alagadas
  • Moradores ilhados
  • Deslizamentos de terra
  • Risco estrutural em imóveis próximos a encostas

A força da água também comprometeu a mobilidade urbana, bloqueando ruas e dificultando o acesso das equipes de resgate a determinados bairros.


440 pessoas desabrigadas e 251 ocorrências registradas

A Defesa Civil municipal contabilizou 251 ocorrências relacionadas ao temporal. Cerca de 440 pessoas tiveram que deixar suas casas e foram encaminhadas para abrigos provisórios organizados pelo poder público.

As famílias atingidas estão recebendo:

  • Acomodação emergencial
  • Alimentação
  • Atendimento social
  • Avaliação técnica das residências

Equipes seguem mobilizadas para localizar possíveis desaparecidos e avaliar imóveis com risco de desabamento.


Histórico de enchentes e vulnerabilidade urbana

Juiz de Fora já enfrentou episódios semelhantes em anos anteriores, principalmente em períodos de verão, quando o regime de chuvas se intensifica na Zona da Mata.

O crescimento urbano em áreas de encosta e margens de rios contribui para o aumento da vulnerabilidade. Muitos bairros foram ocupados ao longo das décadas sem infraestrutura adequada de drenagem, contenção de encostas e planejamento territorial compatível com o relevo acidentado da cidade.

Especialistas alertam que:

  • O solo encharcado perde estabilidade rapidamente
  • Áreas com supressão de vegetação ficam mais suscetíveis a deslizamentos
  • Sistemas de drenagem antigos não suportam volumes extremos de chuva

As mudanças climáticas também têm intensificado eventos extremos, com chuvas mais concentradas em curtos períodos de tempo, elevando o risco de tragédias urbanas.


Impactos para a população e economia local

Além das perdas humanas, o impacto social e econômico deve ser significativo:

  • Interrupção do comércio em áreas alagadas
  • Danos a residências e pequenos empreendimentos
  • Prejuízos na infraestrutura viária
  • Aumento da demanda por assistência social

O decreto de calamidade pública permite que o município agilize processos burocráticos, solicite recursos estaduais e federais e realize contratações emergenciais para obras de reconstrução e assistência às famílias afetadas.


O que acontece agora

Nos próximos dias, o foco das autoridades será:

  1. Busca por desaparecidos
  2. Garantia de abrigo às famílias desalojadas
  3. Avaliação estrutural de áreas de risco
  4. Limpeza e recuperação das vias atingidas

A tragédia reacende o debate sobre políticas públicas de prevenção, mapeamento de áreas vulneráveis e investimentos em drenagem urbana em Juiz de Fora.

Enquanto a cidade tenta se reorganizar, moradores enfrentam não apenas a perda material, mas também o trauma causado por um dos episódios mais severos de chuva já registrados recentemente no município.

A reconstrução exigirá esforço coletivo e planejamento estruturado para que eventos extremos como este não voltem a produzir consequências tão devastadoras.

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