A estiagem das últimas semanas vem causando prejuízos significativos às lavouras de soja e milho no Norte do Rio Grande do Sul. O cenário preocupante foi apresentado durante o Programa Cotações e Mercado, exibido no domingo (15), com a participação dos engenheiros agrônomos Cláudio Doro e Luciano Remor.
De acordo com os especialistas, os danos já são considerados consolidados em diversas propriedades e a tendência é de uma redução expressiva na produtividade da safra 2026.
Perdas já são irreversíveis em várias áreas
Cláudio Doro destacou que a situação é crítica e que, em muitos casos, apenas cobrir os custos de produção já poderá ser visto como um resultado satisfatório pelos agricultores. Segundo ele, as lavouras que estão na fase de enchimento de grãos foram as mais prejudicadas pela falta de chuva.
Mesmo que as precipitações retornem nas próximas semanas, o potencial produtivo já foi comprometido. O agrônomo relatou a realização de laudos de Proagro em municípios como Vila Lângaro, Sertão e Coxilha, onde constatou perdas expressivas.
Lavouras que inicialmente apresentavam expectativa de rendimento entre 60 e 70 sacas por hectare agora devem registrar colheita entre 35 e 40 sacas. Em algumas áreas avaliadas, a quebra chega a 50%. Entre os principais problemas observados estão o aborto de flores e vagens, além da má formação dos grãos devido à baixa umidade do solo.
De forma geral, a estimativa aponta redução média de 10 a 20 sacas por hectare, podendo aumentar caso a estiagem continue nas próximas semanas.
Impacto econômico preocupa produtores
Além das perdas no campo, Doro ressaltou a preocupação com os compromissos financeiros que vencerão após a colheita. Muitos produtores terão de arcar com custos de custeio agrícola, parcelas de dívidas renegociadas, contratos de arrendamento e pagamentos a fornecedores.
Grande parte dessas obrigações está vinculada a cerealistas e cooperativas, que também dependem diretamente do volume colhido para manter o equilíbrio financeiro. Com a queda na produção, cresce o temor de dificuldades no fluxo de caixa das propriedades.
Déficit de chuva agrava situação
O engenheiro agrônomo Luciano Remor também confirmou que os prejuízos são irreversíveis em várias regiões. Segundo ele, áreas visitadas apresentam estimativa de produtividade semelhante, variando entre 35 e 40 sacas por hectare.
Dados da Embrapa indicam que a média histórica de chuva em janeiro é de 174 milímetros. Neste ano, entretanto, foram registrados apenas 111 milímetros. Em 2025, considerado ainda mais seco, o índice havia sido de 73 milímetros.
Remor citou municípios como Ipiranga do Sul, Erechim, Passo Fundo, Marau e Lagoa Vermelha, além de áreas próximas à divisa com Santa Catarina, como localidades onde os danos já são visíveis.
Muitas lavouras semeadas no fim de novembro e ao longo de dezembro apresentaram crescimento limitado e comprometimento na formação de vagens devido à escassez hídrica.
Quebra pode chegar a 30%
A projeção geral apresentada durante o programa aponta para uma redução próxima de 30% na produção da safra atual na região Norte do Estado. O cenário acende um alerta para o agronegócio gaúcho, que já enfrenta desafios climáticos recorrentes nos últimos anos.
Com a colheita se aproximando, produtores acompanham a previsão do tempo na esperança de chuvas que, embora não revertam as perdas já consolidadas, possam ao menos evitar prejuízos ainda maiores.
Com informaçoes da Radio Uirapuru