Recomeço no campo: família Witter volta a produzir leite após perder 48 vacas no RS

Mais de um mês depois da tragédia que praticamente extinguiu o rebanho da família Witter, no município de Novo Xingu, a rotina na propriedade localizada na Linha Cotia começa a ser reconstruída. Com o apoio de produtores rurais de várias regiões do Estado, 23 vacas foram doadas ao longo de fevereiro, possibilitando a retomada da atividade leiteira.

Atualmente, 17 animais já estão em fase de ordenha, garantindo uma produção média de cerca de 400 litros de leite por dia. O volume ainda está abaixo do que era registrado antes do incidente, mas a produtora Ana Witter mantém o otimismo. Segundo ela, muitos dos animais vieram de sistemas de confinamento e ainda passam por adaptação ao novo manejo e às condições climáticas, mas a expectativa é de crescimento gradual na produção.

Além das doações, a família também conta com valores arrecadados por meio de transferências via Pix para reorganizar a propriedade, quitar compromissos financeiros e adquirir novos animais. O prejuízo total causado pela perda do rebanho é estimado em aproximadamente R$ 600 mil.

Entenda o que aconteceu

De acordo com laudos veterinários, a morte repentina das 48 vacas foi provocada por intoxicação por nitrito e nitrato. O problema teria começado após a adubação das pastagens com esterco.

Nos dias que antecederam o episódio, a baixa incidência de sol prejudicou o processo de fotossíntese das plantas. Com isso, os compostos químicos não foram devidamente convertidos em nutrientes, acumulando-se nas folhas. Ao consumirem o pasto contaminado, as vacas tiveram o organismo afetado rapidamente: as substâncias ingeridas comprometeram a oxigenação do sangue, levando os animais à morte em poucas horas.

Como tudo começou

O caso teve início na madrugada de 2 de janeiro, quando o produtor Vanderlei Witter encontrou os primeiros animais mortos ao se preparar para a ordenha. Em apenas três dias, o número de perdas subiu de quatro para 48 vacas, gerando grande comoção no setor agropecuário gaúcho e mobilizando veterinários e autoridades na busca por explicações.

Agora, com solidariedade e esforço coletivo, a família tenta virar a página e reconstruir a produção, mantendo viva a tradição no campo.

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