Produtores denunciam maus-tratos a gado apreendido pelo Ibama no Pará durante audiência no Senado

Caso envolvendo mais de 300 cabeças de gado apreendidas pelo Ibama no Pará levanta questionamentos sobre a guarda dos animais e possível morte de parte do rebanho.

Produtores rurais denunciaram supostos maus-tratos a gado apreendido pelo Ibama no Pará, em um caso que ganhou repercussão nacional e foi discutido em audiência realizada na Comissão de Agricultura do Senado Federal. Segundo os relatos apresentados, mais de 300 cabeças de gado teriam sido apreendidas pelo órgão ambiental e parte dos animais teria morrido enquanto estava sob custódia.

O episódio envolvendo o gado apreendido pelo Ibama no Pará gerou debate entre parlamentares e representantes do setor agropecuário, principalmente sobre a responsabilidade pela guarda dos animais e as condições em que foram mantidos após a apreensão.

Apreensão de mais de 300 animais no Pará

De acordo com os produtores rurais, 337 cabeças de gado foram apreendidas pelo Ibama no Pará durante uma operação realizada no assentamento Santa Clara. A ação ocorreu após a identificação de criação de animais em uma área considerada de Reserva Legal que teria sido desmatada de forma irregular.

Após a apreensão do gado pelo Ibama no Pará, os animais ficaram sob responsabilidade de um depositário intermediário. Posteriormente, os produtores recorreram à Justiça e conseguiram uma decisão que determinou a devolução de parte do rebanho.

Com base nessa decisão judicial, 180 animais retornaram aos proprietários. No entanto, os produtores afirmam que 157 cabeças de gado não foram devolvidas, pois teriam morrido durante o período em que permaneceram sob custódia.

Produtores relatam condições críticas dos animais

Durante a audiência no Senado, produtores apresentaram fotografias que, segundo eles, mostram o estado em que parte do gado apreendido pelo Ibama no Pará foi devolvido.

Nas imagens, os animais aparecem extremamente magros e debilitados, o que gerou acusações de possíveis falhas no manejo, incluindo suposta falta de alimentação adequada e cuidados básicos durante o período de custódia.

Os pecuaristas afirmam que as condições em que o rebanho foi mantido precisam ser investigadas, já que parte dos animais teria apresentado sinais de desnutrição ao retornar às propriedades.

Ibama explica destino do gado apreendido no Pará

O Ibama informou que a apreensão ocorreu porque o gado estava sendo criado em área de Reserva Legal desmatada ilegalmente dentro do assentamento Santa Clara, localizado no município de Placas, no estado do Pará.

Segundo o órgão ambiental, quando ocorre a apreensão de bens em situações semelhantes, a legislação permite que os animais ou produtos sejam destinados a instituições públicas.

Nesse caso específico, o Ibama declarou que os animais apreendidos foram destinados à Secretaria de Educação do município de Placas, conforme prevê a legislação para bens apreendidos em operações ambientais.

Caso levanta debate sobre responsabilidade

O episódio envolvendo o gado apreendido pelo Ibama no Pará passou a levantar questionamentos sobre quem deve responder pela guarda e manutenção dos animais durante o período de custódia.

A discussão também envolve possíveis falhas no processo de fiscalização e acompanhamento dos bens apreendidos, especialmente quando se trata de animais vivos que necessitam de alimentação e cuidados constantes.

O caso segue sendo debatido em instâncias oficiais e pode resultar em novas apurações para esclarecer as circunstâncias da morte de parte do rebanho e verificar se houve irregularidades durante o período em que os animais permaneceram sob responsabilidade de terceiros.

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