A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu na tarde de terça-feira (24), em Caxias do Sul, um homem de 30 anos condenado por integrar um esquema de comercialização ilegal de carne de cavalo para consumo humano na Serra Gaúcha. A captura ocorreu no bairro Forqueta, durante diligências realizadas pela 1ª Delegacia de Polícia Distrital.
Contra o investigado havia mandado de prisão expedido pela 4ª Vara Criminal de Caxias do Sul, vinculada ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, após condenação definitiva — quando não há mais possibilidade de recurso.
Ele foi sentenciado a 8 anos e 1 mês de reclusão, em regime inicial fechado, por crimes de falsificação, corrupção e adulteração de produtos alimentícios, crimes contra as relações de consumo e associação criminosa.
Operação Hipo: como funcionava o esquema
A condenação é resultado das investigações conduzidas entre março e novembro de 2021 pela 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Porto Alegre, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, no âmbito da chamada Operação Hipo.
As apurações identificaram um esquema estruturado de abate clandestino de cavalos e posterior comercialização da carne como se fosse própria para consumo regular, sem inspeção sanitária e sem qualquer informação clara ao consumidor sobre a origem do produto.
Segundo as investigações, a carne era inserida na cadeia de comercialização sem rotulagem adequada e fora dos padrões exigidos pelos órgãos de fiscalização, configurando fraude alimentar e risco direto à saúde pública.
Riscos à saúde e impacto ao consumidor
A venda de carne sem inspeção sanitária representa um grave problema de saúde pública. Produtos de origem animal precisam passar por rigorosos controles para evitar contaminações por bactérias, parasitas e outras substâncias nocivas.
No caso da carne equina, o problema se agrava quando o abate ocorre de forma clandestina. Animais que não foram criados para consumo podem ter recebido medicamentos ou substâncias não autorizadas para ingestão humana, aumentando o potencial de risco.
Além disso, há o dano direto ao consumidor, que adquire um produto acreditando tratar-se de outra proteína de origem controlada. Trata-se, portanto, de violação do direito à informação e de quebra da confiança nas relações de consumo.
Histórico de fraudes alimentares na Serra Gaúcha
A Serra Gaúcha, região reconhecida nacionalmente pela força do agronegócio, vitivinicultura e setor alimentício, já enfrentou outros episódios envolvendo irregularidades na cadeia produtiva de alimentos.
Operações anteriores conduzidas por forças estaduais apontaram casos de abates clandestinos e adulteração de produtos cárneos, o que levou ao reforço da fiscalização e à atuação integrada entre Ministério Público e forças policiais.
Esse tipo de ocorrência gera não apenas risco sanitário, mas também impacto econômico, pois pode afetar a credibilidade de produtores e estabelecimentos que atuam de forma regular.
Reforço no combate ao crime em Caxias do Sul
Com essa prisão, a 1ª Delegacia Distrital de Caxias do Sul chega a 57 prisões efetuadas somente em 2026, segundo a Polícia Civil. O número evidencia uma intensificação das ações de combate à criminalidade no município, especialmente em crimes que envolvem prejuízo coletivo.
Após os procedimentos legais, o condenado foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
O que a população pode fazer
Casos como esse reforçam a importância de o consumidor:
- Verificar a procedência da carne adquirida;
- Conferir selos de inspeção (municipal, estadual ou federal);
- Desconfiar de preços muito abaixo do mercado;
- Denunciar irregularidades aos órgãos competentes.
A atuação da sociedade, aliada à fiscalização, é essencial para evitar que fraudes alimentares voltem a ocorrer na região.