Passagem de Rafah reabre parcialmente após dois anos de bloqueio


A passagem de Rafah, entre Gaza e o Egito, iniciou neste domingo (1°) uma fase de testes antes da reabertura planejada, que permitirá a um número limitado de palestinos deixar o território devastado pela guerra e concluir a primeira fase do plano de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.

Segundo a agência Reuters, caminhões com ajuda humanitária já foram vistos atravessando Rafah a caminho de Khan Younis, em Gaza, e retornando da cidade. Os veículos chegaram ao território pela passagem de Kerem Shalom

A passagem crucial, que está praticamente fechada desde que Israel a tomou em maio de 2024, passou por uma série de preparativos da União Europeia, do Egito e de outras partes envolvidas na gestão, segundo o COGAT (Coordenador das Atividades Governamentais nos Territórios) de Israel.

A passagem estará aberta apenas para a “passagem limitada de residentes”, esclareceu o COGAT, sem, no entanto, indicar uma data para quando os residentes poderão atravessar.

Ali Shaath, chefe do comitê tecnocrático palestino responsável pela administração de Gaza, afirmou nas redes sociais que a passagem será aberta nos dois sentidos na segunda-feira (2).

Quando Shaath anunciou a abertura da passagem em meados de janeiro, ele afirmou que isso “sinaliza que Gaza não está mais fechada para o futuro e para o mundo”.

No entanto, a abertura limitada e as restrições ao uso da passagem, que durante anos trouxe caminhões carregados de ajuda humanitária diariamente, estão muito aquém das operações plenas de Rafah.

Um oficial de segurança israelense disse à CNN que 150 palestinos por dia terão permissão para sair de Gaza, mas apenas 50 poderão entrar.

No entanto, o alto preço da travessia de Rafah — alguns palestinos relataram ter pago milhares de dólares, valor que poucos podem arcar — aliado aos longos processos burocráticos e de segurança, significa que poucos palestinos podem realisticamente esperar sair da Faixa de Gaza.

A reabertura completa da passagem de Rafah fazia parte da primeira fase do acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA, que entrou em vigor em meados de outubro de 2025.

Mas Israel se recusou a reabrir a passagem até o retorno de todos os reféns, vivos e mortos. O último refém morto, Ran Givili, foi devolvido a Israel na semana passada.

O retorno de Gvili e a reabertura da passagem de Rafah concluem a primeira fase do acordo de cessar-fogo de 20 pontos. Os EUA anunciaram o início da segunda fase do acordo há duas semanas, quando o presidente Donald Trump lançou oficialmente o Conselho de Paz em Davos.



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