O Museu das Amazônias (MAZ), em Belém, foi indicado ao ArchDaily Building of the Year Awards 2026, uma das mais relevantes premiações internacionais de arquitetura.
Inaugurado em outubro de 2025, o espaço disputa o prêmio na categoria Melhor Arquitetura Cultural, que reúne projetos construídos ao longo do último ano em diferentes países. A escolha dos vencedores acontece por votação popular, aberta ao público até o dia 10 de fevereiro, no site da ArchDaily. O resultado será divulgado em 19 de fevereiro de 2026.
Projetado pelo escritório be.bo.arquitetos, em parceria com a Guá Arquitetura, o Museu das Amazônias se destaca pela proposta que integra arquitetura, ciência, arte e tecnologia, com forte valorização dos saberes dos povos amazônidas. Para os idealizadores, a indicação internacional reforça o papel do museu como um dos principais projetos culturais recentes do Brasil.
Segundo o arquiteto Luís Guedes, da Guá Arquitetura, a notícia da indicação foi recebida com surpresa e orgulho.
“É um prêmio que está entre os mais importantes da arquitetura internacional. Esse é um projeto feito a quatro mãos, por um escritório do Pará e outro do Rio de Janeiro, e que carrega a história e a importância dos nossos povos. A gente espera que esse reconhecimento venha para Belém, de forma inédita nessa categoria”, afirma.
Arquitetura que conta histórias

A concepção do museu partiu da ideia de que a própria arquitetura deveria narrar a história das Amazônias. Elementos construtivos, materiais e acabamentos foram pensados como parte da experiência do visitante.
“Quando a gente pensou nesse museu, pensou em um espaço que contasse a nossa história pela gente. As tintas usadas vêm do Marajó, feitas a partir de pigmentos tradicionais, as madeiras foram resgatadas e os móveis foram produzidos por mestres artesãos da região. Tudo isso é um manifesto”, explica Luís Guedes.
O arquiteto destaca ainda que o projeto dialoga diretamente com o território, o clima e os imaginários amazônicos. “As serpentes presentes na fachada, nos bancos e em detalhes do prédio representam símbolos muito fortes para vários povos tradicionais. São pequenos segredos que o visitante vai descobrindo aos poucos e que reforçam a ideia das múltiplas Amazônias, diversas, mas conectadas”, completa.
Estrutura e espaços
O Museu das Amazônias conta com dois grandes espaços expositivos, com áreas de 950 m² e 500 m², além de ambientes como loja, sala multiuso e espaços educativos.
A divisão foi pensada para abrigar exposições de longa duração e mostras temporárias, além de atividades educativas e culturais.
Para ele, o diferencial do MAZ está no conceito. “Não é um museu de arte nem um museu de tecnologia no sentido convencional. É um museu de tecnologia ancestral. Poucos espaços no mundo olham para esse recorte curatorial. Isso torna o projeto único”, ressalta.
Reconhecimento além da arquitetura
Para a coordenadora de comunicação do museu, Camila Costa, a indicação chega em um momento simbólico, já que o MAZ tem apenas quatro meses de funcionamento.
“Somos um museu muito jovem e foi uma alegria enorme receber essa notícia. Em pouco tempo, tivemos uma resposta muito positiva do público, e agora esse reconhecimento em uma esfera internacional”, afirma.
Ela destaca que a arquitetura é parte essencial da experiência do visitante. “As pessoas vêm pelas exposições, mas também percebem a pluralidade das Amazônias nos detalhes do prédio. A arquitetura comunica, ensina e provoca reflexão”, diz.
Segundo Camila, concorrer ao prêmio também ajuda a dar visibilidade à produção científica e cultural da região Norte. “Nossa região desenvolve ciência e tecnologia há muito tempo, mas isso nem sempre é reconhecido, principalmente fora do Brasil. Estar nessa premiação ajuda a ampliar esse olhar”, avalia.
Público e impacto
Desde a inauguração, o Museu das Amazônias já recebeu mais de 150 mil visitantes, a maioria da própria região. Para a equipe, o número revela o sentimento de pertencimento gerado pelo espaço.
“Muitas pessoas se reconhecem aqui, sentem orgulho da própria cultura. O museu mostra que a Amazônia vai muito além dos estereótipos, trazendo as Amazônias urbanas, quilombolas, indígenas e periféricas”, explica Camila Costa.
Ela reforça que visitantes de outras regiões e de fora do país costumam sair do museu com um novo olhar. “Quando as pessoas entram em contato com esses elementos de forma concreta, entendem melhor a grandiosidade e a diversidade do território amazônico”, afirma.
Convite ao público
Caso o museu conquiste o prêmio, a equipe acredita que o reconhecimento internacional pode ampliar ainda mais o alcance do MAZ e fortalecer a valorização da cultura amazônica.
Enquanto isso, o convite está aberto. “Quem ainda não conhece o Museu das Amazônias está convidado a visitar. Estamos na última semana das exposições ‘Amazônia’ e ‘Ajuri’. É uma oportunidade de conhecer, de perto, as muitas Amazônias que fazem parte do nosso território”, conclui Camila Costa.