Família de produtores de Novo Xingu busca retomar produção após tragédia que dizimou rebanho em poucos dias
Cerca de 80 dias após perder 48 vacas leiteiras, uma família de produtores rurais de Novo Xingu, no norte do Rio Grande do Sul, começa a se reerguer. O episódio, que causou um prejuízo estimado em R$ 600 mil, interrompeu drasticamente a produção de leite da propriedade, mas agora os criadores tentam retomar as atividades com apoio da comunidade.
Graças a uma campanha solidária, os produtores receberam 23 animais, sendo a maioria vacas em lactação. Atualmente, a produção diária varia entre 450 e 500 litros — ainda distante dos 1.200 litros registrados antes do ocorrido, mas já considerada um avanço no processo de recuperação.
O que provocou a morte dos animais
A morte das vacas ocorreu entre os dias 2 e 4 de janeiro, quando os animais começaram a apresentar sintomas semelhantes, como dificuldade respiratória, salivação intensa e incapacidade de se levantar.
Após análises realizadas pela Universidade de Passo Fundo, foi confirmado que a causa foi intoxicação alimentar por excesso de nitrito. Esse composto, em altas concentrações, impede o transporte de oxigênio no organismo dos bovinos, levando-os à morte mesmo sem sinais aparentes de sufocamento externo.
O problema teve origem na pastagem consumida pelos animais. Condições climáticas adversas, como dias seguidos de chuva e pouca incidência solar, prejudicaram a fotossíntese e favoreceram o acúmulo de nitrato nas plantas. Quando ingerido, esse nitrato é convertido em nitrito no organismo das vacas, tornando-se altamente tóxico.
Mudanças na propriedade após o prejuízo
Após o ocorrido, a família decidiu alterar o sistema de produção para evitar novos riscos. A área onde os animais pastavam foi desativada e convertida em lavoura de milho. Além disso, as vacas em lactação passaram a ser alimentadas exclusivamente com ração no cocho.
Apesar de garantir maior controle sobre a alimentação, a medida aumentou significativamente os custos de produção, justamente em um momento de baixa no preço do leite. Sem recursos suficientes, a família afirma não ter condições de investir em sistemas mais modernos, como o confinamento tipo free stall.
Como a tragédia aconteceu
O caso teve início na madrugada de 2 de janeiro, quando os primeiros animais foram encontrados mortos. Ao longo do mesmo dia, o número de mortes subiu rapidamente. No dia seguinte, mais vacas morreram, e até o dia 4 de janeiro, todas as 48 vacas em lactação haviam sido perdidas.
Outros animais da propriedade não foram afetados, pois estavam em áreas diferentes e não consumiram a mesma pastagem.
Apoio e esperança na recuperação
A mobilização de amigos, vizinhos e até desconhecidos foi essencial para a retomada da atividade. Além das doações de animais, contribuições financeiras ajudaram a reduzir parte das dívidas acumuladas após o prejuízo.
Mesmo diante das dificuldades, a família segue confiante em recuperar gradualmente a produção e reorganizar a propriedade.
Medidas de prevenção
Para evitar casos semelhantes, especialistas recomendam alguns cuidados no manejo das pastagens:
- Respeitar o intervalo entre a adubação nitrogenada e o início do pastejo;
- Evitar adubar em períodos de pouca luz solar ou excesso de chuva;
- Introduzir os animais gradualmente em áreas recém-adubadas;
- Redobrar a atenção após períodos de seca seguidos de chuva;
- Oferecer suplementação alimentar para reduzir o consumo de pasto com risco elevado.
O caso serve de alerta para produtores rurais sobre os perigos da intoxicação por nitrito, especialmente em condições climáticas desfavoráveis.