As parasitoses continuam entre os principais fatores que limitam o desempenho da pecuária brasileira, afetando diretamente o ganho de peso, a eficiência reprodutiva e a produção de carne e leite. Durante o verão, período marcado por altas temperaturas e maior pressão de infestação, o cuidado com o controle sanitário do rebanho se torna ainda mais estratégico.
Levantamentos amplamente divulgados por órgãos como a Embrapa e o Ministério da Agricultura e Pecuária apontam que os prejuízos econômicos causados por parasitas em bovinos podem variar entre R$ 18 bilhões e R$ 66 bilhões por ano no Brasil. Em determinadas propriedades, a queda de produtividade pode chegar a 20%, comprometendo significativamente o resultado financeiro da atividade.
De acordo com o médico-veterinário Fernando Dambrós, da Ourofino Saúde Animal, o primeiro trimestre do ano é um momento crítico para o produtor rural. Nessa fase, muitos rebanhos estão na etapa final da estação de monta e também em período decisivo para o ganho de peso a pasto. Segundo ele, qualquer falha no controle sanitário pode impactar não apenas o desempenho imediato dos animais, mas todo o ciclo produtivo.
Parasitas internos e externos afetam desempenho
Os desafios sanitários envolvem tanto parasitas internos quanto externos. As verminoses gastrointestinais, por exemplo, atuam de forma silenciosa, prejudicando a absorção de nutrientes, reduzindo a eficiência alimentar e enfraquecendo o sistema imunológico dos bovinos.
Já os ectoparasitas — como carrapatos, mosca-dos-chifres, bernes e agentes causadores de miíases — provocam estresse contínuo, lesões na pele, anemia e ainda podem transmitir doenças graves. Esse conjunto de fatores interfere diretamente no bem-estar animal e, consequentemente, na rentabilidade da propriedade.
Entre os principais vilões da pecuária nacional está o carrapato-do-boi, cientificamente conhecido como Rhipicephalus microplus.
Esse parasita compromete o ganho de peso e a eficiência reprodutiva dos animais, além de aumentar a suscetibilidade a enfermidades. As moscas-dos-chifres também causam impacto expressivo, podendo reduzir o desempenho em até 15%, uma vez que diminuem o tempo de pastejo e elevam o gasto energético do rebanho devido ao estresse constante.
Manejo integrado é a estratégia mais eficaz
Especialistas defendem que o controle estratégico das parasitoses deve ser baseado em manejo integrado, combinando diferentes ferramentas. Entre as alternativas estão o uso de produtos pour-on, pulverizações e brincos mosquicidas, que ajudam a reduzir a infestação de moscas-dos-chifres e aliviar o desconforto dos animais.
No entanto, o uso indiscriminado de antiparasitários pode acelerar o desenvolvimento de resistência, tornando os tratamentos menos eficazes ao longo do tempo. Por isso, a orientação técnica e a definição de um calendário sanitário adaptado à realidade de cada propriedade são considerados fundamentais.
O manejo preventivo, aliado a boas práticas de nutrição e acompanhamento veterinário, tende a ser mais econômico e eficiente do que ações corretivas adotadas apenas após a instalação do problema. Em um cenário de margens apertadas e alta competitividade, investir em sanidade é uma estratégia decisiva para preservar produtividade e garantir melhores resultados ao produtor.