Lenda do esqui carregará bandeira na abertura da Olimpíada de Inverno 2026


Quando Franco Nones conquistou a medalha de ouro nos 30 km do esqui cross-country nos Jogos Olímpicos de Inverno de Grenoble, em 1968, ele fez mais do que garantir o primeiro título olímpico da Itália na modalidade — abriu caminho em uma disciplina até então dominada por escandinavos e pela União Soviética.

O ex-campeão olímpico voltará a ocupar o palco dos Jogos nesta sexta-feira (6), ao carregar a bandeira olímpica em Cortina d’Ampezzo durante a cerimônia de abertura.

Em uma coincidência histórica simbólica para o esporte de inverno italiano, a primeira prova olímpica de esqui cross-country no Val di Fiemme nos Jogos de Milão-Cortina 2026 será disputada em 7 de fevereiro, data que marca o aniversário de sua medalha de ouro histórica.

Os Jogos chegarão ao vale natal de Nones exatamente 58 anos após aquela conquista.

“É uma grande honra. Fico muito feliz por ter sido escolhido”, disse Nones à Reuters. Ele completou 85 anos no domingo (1).

Nones dividirá a honra em Cortina com a patinadora italiana de short track Martina Valcepina.

Vale natal terá papel central nos Jogos

Nascido em Castello-Molina di Fiemme, na região do Trentino, Nones viu sua terra natal se transformar em um dos principais polos do esqui nórdico na Itália.

“O Val di Fiemme agora é o centro do mundo”, afirmou Nones, destacando que, em uma Olimpíada distribuída por diferentes polos de competição, o peso do vale na programação é expressivo.

“Vamos entregar 38 medalhas, um terço de todas as medalhas olímpicas”, disse.

As provas de esqui cross-country e combinado nórdico serão realizadas em Tesero, enquanto a vizinha Predazzo sediará as competições de salto com esqui.

No Val di Fiemme, os Jogos Olímpicos sucedem três Campeonatos Mundiais de esqui cross-country, realizados em 1991, 2003 e 2013.

“Em 35 anos, acredito que pouquíssimos países, em um único local, tenham conseguido algo assim”, afirmou. “E tudo começou com a minha medalha de ouro”.

O talento internacional de Nones começou a se destacar nos Jogos de Innsbruck, em 1964, quando terminou em 10º lugar na prova masculina dos 15 km.

Dois anos depois, confirmou seu status mundial no Campeonato Mundial de 1966, em Oslo, ao conquistar o bronze no revezamento 4×10 km e ficar em sexto lugar nos 30 km.

Em seguida, veio a atuação que transformou sua carreira e a identidade do esporte de inverno italiano.

Como o primeiro atleta não escandinavo e não soviético a conquistar uma medalha olímpica no esqui cross-country, Nones ganhou respeito duradouro na Suécia, Noruega e Finlândia, países onde passou longos períodos treinando e competindo.

Ele construiu laços profundos no mundo do esqui nórdico, inclusive relações pessoais com figuras influentes, entre elas membros do círculo da realeza sueca.

Sua ligação com a Suécia também se estendeu à vida pessoal, já que se casou com a sueca Inger Berneholm. Juntos, formaram uma família e uma parceria profissional ao fundar uma empresa especializada em equipamentos técnicos para esqui e atividades ao ar livre.

Nones afirmou que não ocupa um cargo formal nos Jogos de Milão-Cortina, mas está à disposição para ajudar se for chamado.

“É só pegar o telefone e eu estou aqui”.



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