Lajeado: Homem de 30 anos morre após ser esfaqueado pela companheira no Bairro Santo Antônio; Polícia Civil investiga possível legítima defesa

Um homem de 30 anos morreu na noite de sexta-feira (20/02) após ser atingido por golpes de faca dentro de um apartamento no Bairro Santo Antônio, em Lajeado, no Vale do Taquari. A principal suspeita é a companheira da vítima, de 29 anos, que alegou ter agido em legítima defesa durante uma briga.

O caso mobiliza a Polícia Civil, que instaurou inquérito para esclarecer as circunstâncias do ocorrido e confirmar se houve, de fato, uma reação para proteção própria.


Ocorrência foi registrada à noite em área residencial

O episódio aconteceu em um condomínio residencial no Bairro Santo Antônio, uma das regiões com maior densidade populacional de Lajeado. O bairro é conhecido por reunir prédios residenciais, comércio local e fácil acesso à área central do município.

De acordo com as informações preliminares, a mulher foi localizada nas proximidades do prédio logo após o ocorrido. Em relato inicial às autoridades, afirmou que houve uma luta corporal entre o casal e que os golpes de faca aconteceram durante uma tentativa de se defender.

Dentro do imóvel, os policiais apreenderam uma faca com manchas de sangue, um martelo e dois telefones celulares, que devem passar por perícia técnica para auxiliar na reconstituição dos fatos.


Atendimento de urgência e confirmação da morte

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para prestar socorro. A vítima apresentava ferimentos graves na região do pescoço e intensa perda de sangue.

O homem foi encaminhado ao Hospital Bruno Born, principal unidade hospitalar de referência no Vale do Taquari. Apesar dos esforços da equipe médica, o óbito foi confirmado pouco depois da chegada.

A mulher também recebeu atendimento médico e, posteriormente, prestou depoimento à autoridade policial.


Investigação analisa hipótese de legítima defesa

Segundo a Polícia Civil, os primeiros elementos colhidos no local indicam a possibilidade de legítima defesa, motivo pelo qual não houve prisão em flagrante naquele momento. No entanto, o caso segue sob investigação.

A autoridade policial responsável deve ouvir testemunhas, analisar laudos periciais e examinar o histórico do relacionamento para verificar se havia registros anteriores de violência ou ocorrências envolvendo o casal.

No ordenamento jurídico brasileiro, a legítima defesa é prevista quando alguém reage a uma agressão atual ou iminente, utilizando meios moderados para cessar o ataque. A avaliação depende da análise detalhada das circunstâncias e das provas reunidas.


Violência doméstica e conflitos familiares no Vale do Taquari

Casos de violência envolvendo casais têm sido registrados com frequência na região do Vale do Taquari nos últimos anos. Embora a maioria das ocorrências envolva mulheres como vítimas, situações em que homens são mortos em contextos de conflitos conjugais também exigem investigação cuidadosa para evitar conclusões precipitadas.

Em Lajeado e municípios vizinhos, as forças de segurança têm intensificado ações de orientação e campanhas de prevenção à violência doméstica. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) atua na região para acolher denúncias e oferecer suporte às vítimas.

Especialistas apontam que discussões que evoluem para agressões físicas costumam estar associadas a histórico de conflitos, uso de álcool ou drogas e ausência de canais de diálogo ou apoio psicológico.


Impactos para a comunidade local

A morte violenta registrada no Bairro Santo Antônio gera apreensão entre moradores da região, que relatam preocupação com episódios de violência dentro de ambientes residenciais.

Além do impacto emocional para familiares e vizinhos, ocorrências desse tipo reforçam o debate sobre a importância de políticas públicas voltadas à mediação de conflitos familiares, acesso a atendimento psicológico e fortalecimento das redes de proteção social.

Moradores também destacam a necessidade de denunciar situações de agressão antes que evoluam para tragédias. Em casos de emergência, a população pode acionar a Brigada Militar pelo 190 ou registrar denúncias junto à Polícia Civil.


Próximos passos da investigação

A Polícia Civil aguarda os laudos da perícia para esclarecer a dinâmica exata dos fatos, incluindo:

  • Análise da arma branca apreendida;
  • Exames de necropsia;
  • Verificação de possíveis lesões na mulher que indiquem agressão prévia;
  • Avaliação de mensagens e conteúdos armazenados nos celulares recolhidos.

O inquérito deverá apontar se o caso será tratado como homicídio ou se ficará comprovada a hipótese de legítima defesa.

A conclusão da investigação será encaminhada ao Ministério Público, que decidirá sobre eventual denúncia ou arquivamento do processo.


O caso segue em apuração, e novas informações podem ser divulgadas pelas autoridades nos próximos dias.

Fonte: g1 RS



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