Os preços da soja registraram alta no mercado brasileiro ao longo da última semana, refletindo principalmente o cenário de incerteza climática e o aquecimento da demanda internacional. De acordo com pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o avanço nas cotações está ligado à maior competitividade dos prêmios de exportação no Brasil, fator que tem estimulado as vendas externas.
Outro elemento que contribui para a valorização é a postura mais cautelosa dos produtores, especialmente na Região Sul. Diante da irregularidade das chuvas e do risco de perdas na produtividade, muitos agricultores têm optado por negociar de forma mais estratégica, restringindo a oferta no mercado interno.
No campo, colaboradores ouvidos pelo Cepea relatam queda no rendimento das lavouras em áreas atingidas pela estiagem. A falta de precipitações em momentos decisivos do desenvolvimento da cultura comprometeu parte da produção, gerando preocupação entre os produtores.
Por outro lado, as chuvas recentes trouxeram alívio para lavouras que ainda estão em fase de desenvolvimento nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nessas regiões, a umidade favoreceu a recuperação de parte das áreas e melhorou as perspectivas para o restante da safra.
Em relação ao avanço da colheita, dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que, até o dia 14 de fevereiro, 24,7% da área plantada no país havia sido colhida. O percentual é inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando os trabalhos alcançavam 25,5%, e também fica abaixo da média dos últimos cinco anos, de 27,1%.
O cenário atual reforça a influência dos fatores climáticos e do mercado externo sobre o comportamento dos preços, mantendo produtores atentos às condições do tempo e às oportunidades de comercialização no mercado internacional.
Portal Folha Agrícola, com informações do Cepea.