Possível paralisação nacional ganha força após assembleia em Santos e avanço nos custos do diesel
A possibilidade de uma greve caminhoneiros em todo o Brasil voltou ao centro das discussões do setor de transporte rodoviário e pode se concretizar até o fim desta semana. A informação foi confirmada pelo presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, após reuniões recentes com lideranças da categoria.
Segundo o dirigente, a greve caminhoneiros ganhou impulso após uma assembleia realizada na segunda-feira (16), no Porto de Santos, no estado de São Paulo. O encontro reuniu representantes de diferentes regiões do país e deliberou pela possibilidade de paralisação, além de iniciar articulações para alinhar uma data única entre os estados.
Mobilização nacional avança entre estados
A organização da greve caminhoneiros envolve conversas com entidades estaduais e lideranças regionais. O objetivo é ampliar a adesão e estruturar uma paralisação coordenada em nível nacional. De acordo com a Abrava, o movimento ainda está em fase de articulação, mas já conta com apoio crescente.
A estratégia inicial discutida entre os participantes prevê uma paralisação voluntária das atividades, sem bloqueios de rodovias. A orientação é que os motoristas deixem de aceitar cargas como forma de pressionar por medidas concretas.
Alta do diesel impulsiona movimento
O principal fator por trás da possível greve caminhoneiros é o aumento expressivo no preço do diesel nas últimas semanas. Desde o fim de fevereiro, a valorização do petróleo no mercado internacional tem impactado diretamente o custo do combustível no Brasil.
Levantamentos do setor indicam que o diesel S-10 registrou aumento superior a 7% no início de março, mantendo trajetória de alta ao longo do mês. O preço médio nacional se aproxima de R$ 6,90 por litro, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O cenário ocorre em meio à volatilidade internacional, com o barril de petróleo acima de US$ 100. Esse contexto pressiona o custo do frete e reduz a margem de lucro dos transportadores autônomos.
Medidas do governo e impacto limitado
Na tentativa de conter a escalada dos preços, o governo federal anunciou um pacote de medidas no dia 12 de março, incluindo redução de tributos e subsídios ao diesel. No entanto, o efeito foi parcialmente anulado após reajuste aplicado nas refinarias no dia seguinte.
Mesmo com o aumento, entidades do setor apontam que os preços internos ainda estão abaixo da paridade internacional, o que mantém o risco de novos reajustes. Esse cenário reforça a insatisfação e alimenta a possibilidade de uma greve caminhoneiros.
Reivindicações da categoria
Além da questão do combustível, a categoria apresenta outras demandas. Entre elas estão a atualização efetiva do piso mínimo do frete, conforme previsto em lei, e maior fiscalização para garantir o cumprimento da tabela.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou recentemente reajustes de até 7% nos pisos mínimos, acionados pelo aumento do diesel. No entanto, lideranças apontam que a medida tem alcance limitado sem fiscalização adequada.
Outras reivindicações incluem a implementação de mecanismos para garantir o custo mínimo operacional e a isenção de pedágio para caminhões vazios.
Possíveis desdobramentos
Apesar de manter diálogo com o governo federal, a categoria afirma que ainda não houve avanços concretos nas negociações. A expectativa é que novas reuniões ocorram nos próximos dias.
Caso não haja acordo, a greve caminhoneiros pode ser confirmada até o fim da semana, com impacto direto no transporte de cargas em diversas regiões do Brasil. A definição oficial sobre a paralisação deve ocorrer após o alinhamento entre as lideranças estaduais e nacionais.