Estoque de diesel no Brasil preocupa setor agropecuário e pode durar apenas 15 dias

Queda no preço do petróleo supera 10% após decisão dos Estados Unidos de adiar ataques ao Irã, aliviando tensões no Oriente Médio.

Relatório da Abicom indica que o estoque de diesel no Brasil é suficiente para cerca de duas semanas, enquanto paralisação nas importações aumenta a preocupação no setor agrícola.

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O estoque de diesel no Brasil acendeu um sinal de alerta entre entidades do setor de combustíveis e do agronegócio. De acordo com informações divulgadas pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o volume disponível atualmente no país garantiria abastecimento por aproximadamente 15 dias.

A preocupação ocorre em um momento em que as importações de diesel estão praticamente paralisadas, o que pode pressionar ainda mais o abastecimento nacional. O diesel importado normalmente representa entre 25% e 30% do consumo total no Brasil, o que torna o país dependente do mercado externo para manter os níveis de estoque.

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Especialistas apontam que, caso o cenário se mantenha, o estoque de diesel no Brasil pode sofrer maior pressão nas próximas semanas, principalmente em regiões onde o combustível é essencial para atividades agrícolas e de transporte.

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Paralisação das importações agrava situação

Um dos principais fatores que impactam o estoque de diesel no Brasil é a grande defasagem entre os preços praticados no mercado interno e os valores do mercado internacional.

Segundo a Abicom, a diferença chegou a alcançar até 85%, tornando as importações economicamente inviáveis para empresas do setor. Com isso, diversas operações de compra de diesel no exterior foram interrompidas.

A situação foi agravada pela alta do petróleo no mercado global. O preço do barril ultrapassou US$ 100, impulsionado principalmente pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Esse cenário elevou os custos do combustível no exterior, ampliando ainda mais a diferença em relação ao valor vendido no Brasil.

Com as importações reduzidas, o país passa a depender mais da produção interna e dos estoques disponíveis, o que aumenta a atenção sobre o estoque de diesel no Brasil.

Agronegócio demonstra preocupação com possível impacto

Entidades ligadas ao agronegócio passaram a monitorar de perto o cenário do estoque de diesel no Brasil, especialmente por causa do impacto direto que o combustível tem nas atividades do campo.

A Aprosoja Brasil alertou que a situação pode representar risco para produtores rurais, principalmente nas regiões Sul e Nordeste. Nessas áreas, o diesel é essencial para o funcionamento de máquinas agrícolas, transporte da produção e logística das propriedades.

O momento também é considerado sensível para o setor agrícola. Em várias regiões do país, produtores estão em fases importantes do plantio e da colheita, períodos que demandam grande volume de combustível.

Caso o estoque de diesel no Brasil enfrente dificuldades de reposição, o impacto pode ser sentido na cadeia de produção agrícola e no transporte de alimentos.

Medidas para controlar o abastecimento

Diante do cenário, a Petrobras adotou medidas para tentar manter o equilíbrio no fornecimento de combustível. Entre elas está o sistema conhecido como “cota-dia”, que limita a venda adicional de diesel para evitar uma corrida por estoque.

A iniciativa busca garantir que o combustível seja distribuído de forma equilibrada entre diferentes regiões e setores da economia.

Mesmo com as preocupações sobre o estoque de diesel no Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que não há registro de falta generalizada de diesel no país.

Situação no Rio Grande do Sul e monitoramento da ANP

No Rio Grande do Sul, onde surgiram alguns relatos de dificuldades para produtores rurais adquirirem combustível, a ANP realizou verificações e informou que encontrou estoques considerados regulares.

Segundo a agência, a produção também segue normal na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), uma das principais unidades responsáveis pelo abastecimento da região Sul do país.

Apesar disso, especialistas avaliam que o cenário ainda é considerado instável e depende principalmente de possíveis ajustes nos preços internos do diesel.

Caso ocorra um realinhamento com o mercado internacional, as importações poderiam ser retomadas, ajudando a recompor o estoque de diesel no Brasil. Enquanto isso não acontece, o setor segue atento à evolução do abastecimento e aos próximos desdobramentos do mercado de combustíveis.

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