Dirigentes de partidos aliados ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), resistem à possibilidade de o presidente do PSD, Gilberto Kassab, ocupar a vaga de vice em uma eventual chapa à reeleição, segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil.
Lideranças de siglas da base afirmam que a hipótese perdeu força nas últimas semanas e enfrenta rejeição, especialmente em partidos como Republicanos, MDB e Podemos.
Nos bastidores, a avaliação é que Kassab já concentra poder político relevante na estrutura estadual e não haveria espaço para ampliar ainda mais sua influência na composição majoritária. Integrantes da coalizão resumem a resistência com o argumento de que o dirigente do PSD já ocupa posições estratégicas no governo e no arranjo partidário paulista.
Kassab comanda a Secretaria de Governo e Relações Institucionais, responsável pela articulação com prefeitos, deputados estaduais e pela gestão de convênios e emendas a municípios.
Interlocutores de partidos aliados afirmam que a estrutura da pasta ampliou o alcance político do PSD no interior paulista, com fortalecimento de quadros da legenda em administrações locais.
Além disso, o PSD já ocupa a posição de vice com Felício Ramuth. Para dirigentes da base, a manutenção de posições de poder sob influência direta de Kassab gera desequilíbrio na divisão de poder entre os aliados.
Outro fator citado por lideranças partidárias foi uma declaração recente de Kassab, na qual ele fez referência à relação entre Tarcísio e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao diferenciar gratidão de submissão.
Integrantes da base afirmam que a leitura foi de desgaste desnecessário e que a fala reduziu a viabilidade política de uma composição com Kassab na vice.
Perguntado sobre a ambição presidencial do PSD, com três governadores pré-candidatos, e a possibilidade de mudar a cadeira de vice do PSD para o PL, Tarcísio fala em “decidir mais pra frente”.
“A gente vai tomar essa decisão lá na frente, vamos tomar essa decisão em conjunto. Obviamente, o PL é um partido superimportante para nós. Vamos estar apoiando um candidato à Presidência da República do PL e isso tem um significado muito importante. Tenho certeza que a gente vai tornar o colégio eleitoral de São Paulo um colégio importante para a candidatura do Flávio e obviamente essa decisão vamos tomar lá na frente, não agora”, disse Tarcísio durante agenda nesta quarta-feira (4).
O governador também falou em “ver o melhor partido” focando em ter uma chapa forte.
“Temos excelentes nomes no nosso grupo. O nosso grupo é muito forte, é um grupo que vai estar unido e dentro desses nomes vamos escolher o melhor e vamos ver também o melhor partido para a gente ter uma chapa que seja forte. Onde todo mundo se sinta contemplado, se sinta parte, acho que isso vai governar a decisão não só do vice, mas também das duas vagas do Senado”, finalizou.