A confirmação de um caso de raiva herbívora após a morte de um bovino em uma propriedade rural na comunidade de Três Pinheiros, na divisa com Lagoa Vermelha, mobilizou autoridades sanitárias da região Norte do Rio Grande do Sul.
O exame laboratorial apontou que a infecção está ligada ao ciclo silvestre da doença, transmitida principalmente pelo morcego hematófago. De acordo com o médico-veterinário Marcio Quilante, mesmo um único registro já é suficiente para caracterizar foco da enfermidade, o que exige a adoção imediata de medidas preventivas.
Vacinação em raio de 25 quilômetros
A principal orientação é a vacinação preventiva de bovinos e equinos em um raio de até 25 quilômetros da propriedade onde o caso foi confirmado. A área de atenção abrange também produtores de Caseiros, Ibiraiaras, Capão Bonito do Sul, Cacique Doble e parte de São João da Urtiga.
Embora a imunização não seja obrigatória, as autoridades reforçam que ela é altamente recomendada. O protocolo indicado prevê duas aplicações da vacina, com intervalo de 21 dias, especialmente em propriedades onde há indícios de ataque de morcegos — como ferimentos com sangramento na região das orelhas, lombo ou base da cauda dos animais.
Sintomas e riscos
Nos herbívoros, a raiva costuma se manifestar na forma paralítica. Entre os principais sinais clínicos estão dificuldade de locomoção, andar cambaleante, salivação excessiva e paralisia progressiva. A evolução pode ser rápida, levando o animal à morte em poucos dias.
Há também risco de transmissão para seres humanos, principalmente durante o manejo de animais infectados, por meio do contato com saliva contaminada. A recomendação é evitar qualquer manipulação sem equipamentos de proteção e comunicar imediatamente a Inspetoria Veterinária em caso de suspeita.
Monitoramento de morcegos
As equipes técnicas orientam ainda a identificação de possíveis abrigos de morcegos, como construções abandonadas, ocos de árvores, cavernas e áreas de mata. Em perímetros urbanos, é indicado vedar frestas e forros de imóveis para impedir a instalação desses animais.
As autoridades destacam que a prevenção é fundamental para evitar perdas econômicas na pecuária e preservar a saúde pública.
Fonte: Portal Folha Agrícola.