Aluna de 18 anos desafia estatística e opta por física na USP


Agatha Nunes, de 18 anos, decidiu seguir um caminho profissional que ainda é pouco explorado por mulheres e figura entre as escolhas raras de vestibulandos em geral.

Aprovada no bacharelado em física na USP (Universidade de São Paulo) e na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a estudante ingressa em uma área onde menos de um quarto das matrículas no Brasil são femininas.

Os dados são do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e do IBGE, principal provedor de dados e informações do país.

“Desde pequena, sempre gostei de astronomia e do universo, então quando comecei a ter física no 9° ano, já me interessava bastante pela área”, afirma Agatha à CNN Brasil.

O feito ocorre em um cenário de baixa ocupação feminina e predominância masculina. De acordo com pesquisa publicada na Revista Brasileira de Ensino de Física, com base no Censo da Educação Superior de 2024, o bacharelado em física mantém a maioria masculina, com uma razão de 2,71 homens para cada mulher ingressante.

O estudo revela ainda que a população branca é maioria, com mais de 50% das vagas desde 2018, e que alunos negros e oriundos de escola pública apresentam maior índice de evasão ao longo do curso, não concluindo a trajetória na mesma proporção em que ingressam.

Demanda do mercado

Embora a física seja associada tradicionalmente ao magistério, o setor corporativo aponta uma transformação. Conforme o Future of Jobs Report 2023 do Fórum Econômico Mundial, profissões ligadas à análise de dados e inteligência artificial terão crescimento acentuado até 2027. Nesse contexto, físicas e físicos tornam-se peças estratégicas.

“Existe um mito de que a física é para quem quer dar aula. Mas a verdade é que esses profissionais estão no centro de discussões sobre modelagem de algoritmos e ciência de dados”, explica Fernanda Guglielmi, gerente de RH da Serasa Experian.

Segundo a executiva, a formação treina o cérebro para lidar com o imprevisível, característica buscada pelo mercado atual.

O analista de modelos estatísticos Leonardo Valadão, que também é físico formado pela USP, exemplifica essa aplicação prática. “A física me ensinou a formular o problema certo antes de buscar a resposta. E isso faz toda a diferença em um time de dados,”

Para quem cogita a área, ele aconselha: “Não se prenda à ideia de que você precisa saber exatamente onde vai aplicar esse conhecimento.”

Dicas para vestibulandos

Para alcançar a aprovação nas principais universidades do país, Agatha Nunes estruturou sua preparação em três pilares: acadêmico, físico e emocional.

“O terceiro consiste de aprender a manter o emocional equilibrado e saber lidar com a ansiedade e pressão —que pode vir inclusive de si mesmo, como foi para mim.”

Aos que buscam o ensino superior em 2026, a futura física deixa recomendações: “Estude bastante. Seja qual for o seu objetivo, descubra do que você precisa para conseguir e se dedique. Confie na sua trajetória e no seu conhecimento”.



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