O aumento expressivo no preço do diesel, impulsionado pelas tensões entre Estados Unidos e Irã, já impacta diretamente a produção de arroz no Rio Grande do Sul. Mesmo com a colheita em andamento, produtores enfrentam um cenário de custos elevados e rentabilidade cada vez menor.
Antes da crise internacional, o litro do diesel era adquirido entre R$ 5,80 e R$ 6. No entanto, com a escalada dos preços, regiões produtoras como Uruguaiana chegaram a registrar valores de até R$ 9,50, com o combustível sendo comercializado atualmente em torno de R$ 8 por litro.
De acordo com o vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado, Roberto Fagundes Ghigino, o diesel pode representar entre 10% e 13% do custo total da safra 2025/2026 — acima dos 8% a 10% registrados anteriormente. Apesar de uma leve queda recente nos preços, o cenário ainda preocupa o setor.
Com o arroz sendo vendido a cerca de R$ 60 por saca, muitos produtores já projetam prejuízos próximos de R$ 20 por unidade. Ainda assim, não há paralisação das colheitadeiras nem risco imediato de desabastecimento. Porém, a entrega de combustível está limitada, com volumes até 50% inferiores ao solicitado.
A alta nos preços tem relação direta com o cenário internacional. O conflito no Oriente Médio levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, impactando o mercado global de combustíveis.
Dados da Agência Nacional do Petróleo mostram que o preço médio do diesel S10 no estado subiu de R$ 6,15 por litro no final de fevereiro para R$ 7,52 no fim de março. Outro ponto que chama atenção é a inversão de preços: tradicionalmente mais barato, o diesel vendido pelos TRRs (Transportadores Revendedores Retalhistas) está, neste momento, mais caro do que o comercializado nos postos.
Colheita avança, mas ritmo é menor
Mesmo diante das dificuldades, a colheita do arroz irrigado segue em andamento no estado. Segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz, cerca de 55,5% da área plantada já foi colhida, totalizando mais de 495 mil hectares até o início de abril.
O índice, no entanto, é inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando 62,35% da área já havia sido colhida. O atraso é atribuído tanto ao aumento nos custos quanto às chuvas durante o período de plantio.
A expectativa é de que a colheita seja finalizada até o final de abril. Entre as regiões, a Planície Costeira Externa lidera o avanço, com mais de 68% da área já colhida, seguida pela Planície Costeira Interna e Zona Sul.
Nesta safra, o cultivo de arroz ocupa cerca de 891 mil hectares no Rio Grande do Sul, consolidando o estado como o principal produtor do cereal no Brasil, mesmo diante dos desafios econômicos e climáticos.
Fonte: informações apuradas pelo jornalista Fernando Kopper.