Perdas pós-colheita reduzem ganhos do agronegócio mesmo com safra recorde de grãos em 2026

A produção brasileira de grãos na safra 2025/2026 deve alcançar um novo recorde histórico, superando a marca de 350 milhões de toneladas. A estimativa é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que projeta crescimento tanto da área cultivada quanto da produtividade de culturas estratégicas como soja, milho e trigo, reforçando o protagonismo do Brasil no mercado global de alimentos.

Apesar do avanço expressivo no campo, um problema estrutural continua comprometendo a rentabilidade do setor: as perdas pós-colheita. Estudos da Conab, em conjunto com análises da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), apontam que até 20% da produção nacional de grãos pode se perder ao longo da cadeia produtiva. As principais causas estão relacionadas a falhas no armazenamento, controle inadequado da umidade e gargalos logísticos.

A situação se agrava diante do déficit de capacidade estática de armazenagem no país, que já ultrapassa 118 milhões de toneladas, conforme dados da Abimaq. Com volumes cada vez maiores sendo colhidos, o monitoramento preciso da umidade e das impurezas deixa de ser apenas uma exigência técnica e passa a ter impacto direto nas decisões econômicas do agronegócio.

“O controle rigoroso da matéria-prima é fundamental para a eficiência do setor. Em grandes volumes, qualquer erro de medição gera desperdício, eleva custos e reduz a previsibilidade operacional em toda a cadeia”, destaca Jessica Lima, engenheira de soluções da linha Fast Factory da Toledo do Brasil.

Eficiência operacional como estratégia

Do ponto de vista econômico, o déficit de armazenagem representa a perda de dezenas de milhões de toneladas de grãos. Em 2020, por exemplo, o Brasil desperdiçou cerca de 36,7 milhões de toneladas — o equivalente a aproximadamente 15% da produção de arroz, cevada, milho, soja e trigo, segundo a Conab.

Em um cenário de commodities valorizadas no mercado internacional, esses prejuízos se traduzem em impactos financeiros bilionários. Diante disso, cresce a busca por tecnologias e soluções que aumentem a eficiência operacional, reduzam perdas e preservem a rentabilidade em um setor cada vez mais competitivo.

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