Entidades do setor orizícola pedem ações imediatas diante da crise do arroz no RS

A grave crise enfrentada pela cadeia produtiva do arroz no Rio Grande do Sul levou entidades representativas do setor a se mobilizarem em busca de soluções urgentes. Federarroz, Farsul, Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e a Secretaria Estadual da Agricultura apresentaram, em coletiva de imprensa realizada em Porto Alegre, uma série de propostas voltadas à redução dos prejuízos e ao reequilíbrio do setor nos próximos anos.

Entre as principais medidas debatidas estão a orientação para diminuição da área cultivada, a criação de mecanismos que facilitem a comercialização da produção, o incentivo às exportações e a possibilidade de redução temporária do ICMS no período de maior volume de vendas. Também foi defendido o alongamento das dívidas dos produtores rurais, além da reorganização dos vencimentos das Cédulas de Produto Rural (CPRs) e o combate à venda irregular do grão.

De acordo com o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, a atual situação é consequência de uma combinação de fatores que pressionam o mercado. Ele citou a supersafra registrada nos países do Mercosul, a retomada das exportações da Índia, as altas taxas de juros e as dificuldades de acesso ao crédito como elementos que contribuíram para a queda acentuada dos preços e para o elevado nível de endividamento dos produtores. Segundo Nunes, os impactos financeiros devem se estender até pelo menos 2026.

Outro ponto destacado pelas entidades é a concorrência com o arroz importado do Paraguai, que afeta diretamente a indústria gaúcha em razão de desequilíbrios tributários dentro do Mercosul. Para enfrentar esse cenário, o setor defende ajustes fiscais e políticas públicas que assegurem condições mais justas de competitividade ao arroz produzido no Estado.

Além disso, está em análise a utilização do arroz para a produção de etanol e outros fins industriais, como alternativa para diversificar os mercados e agregar valor à produção, sem comprometer o abastecimento alimentar.

Para a Farsul, o momento exige uma atuação conjunta entre produtores, indústria e poder público. A entidade alerta que, caso não sejam adotadas medidas estruturais, existe o risco de uma concentração excessiva de vendas no primeiro semestre de 2026, o que pode agravar ainda mais a crise em toda a cadeia orizícola do Rio Grande do Sul.

Mais recentes

PUBLICIDADE