Brasil tem chance de medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno? Veja cenário


O Brasil entrará em cena longe do papel de figurante que marcou boa parte de sua história no evento. Pela primeira vez, a delegação brasileira desembarca nos Jogos Olímpicos de Inverno com expectativas concretas de medalha, impulsionada por resultados recentes, atletas consolidados no circuito internacional e um planejamento mais estruturado.

Serão 14 atletas mais um reserva, a maior delegação brasileira em Jogos de Inverno, distribuídos por modalidades como esqui alpino, skeleton, snowboard e bobsled. O número representa um crescimento de 40% em relação a Pequim 2022 e simboliza uma mudança de patamar para um país que, até hoje, nunca subiu ao pódio olímpico no gelo ou na neve.

Lucas Pinheiro Braathen lidera as esperanças

O nome que concentra maior atenção é o de Lucas Pinheiro Braathen, do esqui alpino. Porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura em Milão, o atleta de 25 anos chega aos Jogos como um dos competidores mais técnicos do circuito mundial no slalom e no slalom gigante — provas que exigem precisão extrema, controle e velocidade em descidas sinuosas.

Braathen já venceu etapas de Copa do Mundo, foi campeão geral da temporada 2022/2023 e, desde que passou a defender o Brasil, acumulou dez pódios internacionais, incluindo um ouro nesta temporada. Em um esporte historicamente dominado por europeus, o brasileiro surge como candidato real a disputar medalhas nos dias 14 e 16 de fevereiro.

Nicole Silveira e a força no skeleton

Outra grande esperança vem do skeleton, modalidade em que os atletas descem uma pista de gelo de bruços, a mais de 100 km/h, em um trenó minimalista. Nicole Silveira, porta-bandeira do Brasil em Cortina d’Ampezzo, foi 13ª colocada em Pequim 2022, o segundo melhor resultado do país em Jogos de Inverno, e desde então deu um salto competitivo.

A gaúcha soma três medalhas em Copas do Mundo e um quarto lugar no Mundial de 2025. Regular, experiente e cada vez mais confortável entre as favoritas, Nicole compete nos dias 13 e 14 de fevereiro e pode entrar para a história caso confirme o desempenho recente.

Snowboard também entra no radar

No snowboard halfpipe, Pat Burgener aparece como um nome capaz de surpreender. Top 10 do ranking mundial, o atleta sofreu uma queda forte durante treino na Suíça nesta semana, mas foi liberado após exames e tranquilizou ao afirmar que segue normalmente rumo aos Jogos.

Burgener já conquistou bronze em etapa de Copa do Mundo em 2026, primeiro pódio do Brasil na história da competição, além de medalhas em Mundiais e um quinto lugar olímpico em PyeongChang 2018, ainda representando a Suíça. Agora sob a bandeira brasileira, compete entre os dias 11 e 13 de fevereiro.

Experiência e crescimento sustentam o otimismo

Além dos nomes mais cotados ao pódio, o Brasil leva a Milão-Cortina atletas experientes como Edson Bindilatti, do bobsled, que disputará sua sexta Olimpíada de Inverno, um recorde nacional. O país também amplia sua base com jovens atletas e projetos apoiados pela Solidariedade Olímpica do COI, reforçando a ideia de continuidade.

Desde a estreia em Albertville 1992, o Brasil nunca ficou fora dos Jogos de Inverno, mas o melhor resultado segue sendo o nono lugar de Isabel Clark, em 2006. Em 2026, o cenário é diferente: há resultados, contexto e confiança.

Se a medalha inédita virá ou não, só o cronômetro e o gelo dirão. Mas, pela primeira vez, o Brasil não chega apenas para participar.



Source link

Mais recentes

PUBLICIDADE