O Carnaval pode ser um momento de leveza e muita curtição. Mas, um fator tem pesado a folia na última década e pode esquentar os bolsos nesse ano: os preços. Um levantamento da Rico mostra que os produtos relacionados à festa tradicional aqui no Brasil ficaram 79% mais caros.
Essa variação nos valores superou, inclusive, a inflação no país nos últimos 10 anos. Durante o período, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou uma alta de 64,77%, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
De acordo com o analista de research da Rico, “este aumento de preços tende a seguir a inflação, mas, quando relacionamos com a renda total do consumidor, não há um acompanhamento.”
Cerveja salgada
O encarecimento da cesta carnavalesca foi puxado pela cerveja, que teve uma alta de 58,18% na última década. No ano, também foi o produto que ficou mais caro, subindo 5,97%.
Em São Paulo, por exemplo, a Spaten de 269ml custava R$ 13 em 2025 e subiu para R$ 14 neste ano — 7,69% mais caro, segundo dados da Prefeitura de São Paulo.
Já a Corona Extra de 350ml encareceu 10%, indo de R$ 10 no ano passado para R$ 11 em 2026.
Entre as marcas com preços designados pela prefeitura para os vendedores na rua, a Budweiser foi a única que manteve seu preço estável no último ano, em R$ 12.
O segmento de bebidas alcoólicas, no geral, é a maior vilã das altas nos preços durante a folia, com um avanço de 80,76% em 10 anos.
Mas, o horizonte à frente pode ser mais positivo. Na comparação de apenas um ano, o grupo teve uma queda nos preços de 2,88% — mostrando uma virada no curto período.
Segundo a Rico, esse cenário ocorre por causa o encarecimento dos insumos necessários para a produção de bebidas, como malte e alumínio para as latas.
O vinho, por sua vez, apresentou inflação menor no período analisado, com alta de 0,8% nos últimos 12 meses.
Adereços
E não só as bebidas pesam no bolso do consumidor ao se preparar para aproveitar o Carnaval. Itens ligados ao visual carnavalesco também ficaram mais caros.
As bijuterias acumularam inflação de 61,76% em 10 anos e de 9,88% nos últimos 12 meses.
“O aumento do preço do ouro, por exemplo, é um possívcel exemplo da elasticidade de demanda. Quando você tem um aumento nas joias, um dos grandes afetados pela inflação, você tem uma demanda que pode migrar para bijuterias e, naturalmente, acaba impactando os preços desses itens”, avalia Sanches.
A alta do dólar é um dos fatores apontados pelo levantamento para explicar o avanço nos preços. O cenário do câmbio encarece insumos como metais e pedras sintéticas e aumento os custos de produção.
No ano passado, o dólar chegou a patamares recordes e tem variado bastante em meio a tensões comerciais e geopolíticas.
Dessa maneira, a maquiagem também fica mais cara, tendo apresentado um aumento nos preços de 35,16% na última década.
O estudo da Rico também mostra que quem pretende viajar durante o período carnavalesco também precisa preparar as finanças.
As passagens aéreas acumularam alta de 74,23% em 10 anos, enquanto as passagens de ônibus interestaduais subiram 54,91%.
Os custos de deslocamento mais pressionados são consequências do valor dos combustíveis, câmbio, demanda e ajustes na oferta.
Além disso, serviços de beleza, como cabeleireiro e barbeiro, também sofreram reajustes, ficando 8,07% nos últimos 12 meses.
Para Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, é possível driblar esse cenário. Planejar os gastos com antecedência, buscar promoções e considerar alternativas mais econômicas são algumas dicas para não comprometer o orçamento na folia.