Dívida Pública Federal ultrapassa R$ 8,6 trilhões: entenda os impactos para o Brasil e para o Rio Grande do Sul

Panorama nacional da dívida

A Dívida Pública Federal (DPF) encerrou janeiro praticamente estável, mas ainda em patamar elevado: R$ 8,641 trilhões, frente aos R$ 8,635 trilhões de dezembro, segundo dados do Tesouro Nacional. O leve aumento de 0,07% reflete o efeito dos juros altos, que compensaram o grande volume de vencimentos de títulos prefixados no início do ano.

O marco histórico é relevante: em agosto de 2024, a dívida superou pela primeira vez a barreira dos R$ 8 trilhões. O Plano Anual de Financiamento (PAF) projeta que até 2026 o estoque da dívida pode chegar a R$ 10,3 trilhões.

Estrutura da dívida e composição dos títulos

  • Títulos vinculados à Selic: cresceram de 48,25% para 49,42% do total, atraindo investidores pela taxa básica de juros elevada.
  • Títulos indexados à inflação: subiram para 26,35%.
  • Prefixados: caíram para 20,65%, refletindo o alto custo exigido pelos investidores em momentos de incerteza.
  • Câmbio: recuaram para 3,58%, influenciados pela queda do dólar em janeiro.

Essa composição mostra maior dependência de papéis atrelados à Selic, o que aumenta a sensibilidade da dívida às decisões de política monetária.

O colchão da dívida e os riscos futuros

O chamado “colchão da dívida” — reserva financeira usada para enfrentar períodos de concentração de vencimentos — caiu pelo segundo mês seguido, de R$ 1,187 trilhão para R$ 1,085 trilhão. Atualmente, cobre 6,77 meses de vencimentos, o menor prazo desde março de 2024. Nos próximos 12 meses, vencem R$ 1,424 trilhão em títulos, o que exige atenção redobrada do governo para evitar pressões sobre o caixa.

Impactos locais: Rio Grande do Sul e a economia regional

Embora a dívida pública seja federal, seus efeitos chegam diretamente às economias estaduais e municipais. No Rio Grande do Sul, onde a arrecadação já enfrenta desafios históricos e a dependência de transferências da União é significativa, o aumento da dívida pode resultar em:

  • Menor espaço fiscal para investimentos em infraestrutura e reconstrução de áreas afetadas por enchentes recentes.
  • Pressão sobre juros e crédito: empresas gaúchas, especialmente do setor agrícola e industrial, podem enfrentar custos maiores para financiar produção.
  • Risco de repasse: programas federais de apoio a estados podem ser reduzidos ou condicionados a ajustes fiscais mais rigorosos.

Historicamente, o RS já convive com elevado endividamento estadual, renegociado diversas vezes junto à União. O crescimento da dívida federal amplia a percepção de fragilidade fiscal e pode dificultar novas negociações.

Detentores da dívida e confiança do mercado

Instituições financeiras concentram 31,92% da dívida interna, seguidas por fundos de pensão (22,66%) e fundos de investimento (21,36%). A participação de estrangeiros voltou a subir, alcançando 10,69%. Esse movimento indica maior confiança externa, mas também expõe o Brasil às oscilações do mercado internacional.

O que esperar nos próximos meses

Com a Selic em 15% ao ano, a tendência é de manutenção da pressão sobre os juros incorporados à dívida. O Tesouro Nacional aposta em maior emissão de títulos indexados à inflação e à Selic, enquanto busca alongar prazos médios para transmitir segurança aos investidores. Para a população, os reflexos aparecem em forma de crédito caro, menor espaço para investimentos públicos e necessidade de ajustes fiscais que podem impactar serviços essenciais.

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