Pivô da “Máfia do Apito” lamenta envolvimento e diz viver “pena perpétua”


*Este texto contém fala sobre armas e mutilação. Se você ou alguém que conhece precisa de ajuda, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida pelo número 188. O atendimento é gratuito e 24 horas.

O ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho foi o pivô da “Máfia do Apito”, maior escândalo da história da arbitragem brasileira deflagrado em 2005, e acabou banido do futebol por manipular resultados.

Em entrevista exibida nesta quarta-feira (4) ao canal Cosme Rímoli no YouTube, o ex-árbitro voltou a falar sobre o tema. Mais de 20 anos depois, Edilson desabafou sobre as próprias escolhas, contou que a carreira, o casamento e o relacionamento com a própria filha acabaram, e que chegou a tentar suicídio três vezes.

“Eu não me perdoo. Nenhum dia, nenhuma noite. Quase todas as noites eu sonho estar dentro de campo ou lembrando dos meus amigos que trabalharam comigo. Eu não me perdoo”, começou Edilson logo nos primeiros minutos da conversa.

“Vergonha pro Brasil”

O escândalo fez com que 11 jogos apitados por Edilson Pereira de Carvalho no Campeonato Brasileiro de 2005 fossem anulados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Edilson lamentou as consequências pessoais e também para o futebol brasileiro.

“Por R$ 68 mil acabei com a minha carreira. Com a minha vida. Com a minha família. Com meu casamento. Minha filha não fala comigo. Ninguém me dá emprego”, disse.

Vergonha pro Brasil, pra mim, pra minha família, pros meus amigos. Com certeza, de 10 lugares que eu for, nove não vão me aceitar. Eu não tenho que comparar, tenho que ser realista, eu fiz e acabou (…) Eu não me perdoo, foi muito grande o que eu fiz pro brasileiro. Interessa sim, é a paixão do brasileiro.

Edilson Pereira de Carvalho, ex-árbitro

O ex-árbitro confessou ter recebido entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por partida de um grupo de empresários de São Paulo e Piracicaba para fraudar resultados e favorecer apostas.

Edilson foi preso temporariamente por cinco dias em setembro de 2005 e, durante a entrevista exibida nesta quarta-feira (4), relembrou o momento que passou detido e uma interação com o ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf.

“O Paulo Maluf, que era a pessoa mais falada no Brasil, por estar preso lá, com coisa que ele fez ou não fez, isso não me interessa. Estava na Polícia Federal na Barra Funda aqui de São Paulo, eu estava na cela 2, ele estava na cela 3, tinha uma televisão no fundo, ele assistindo televisão. Eu entrei e ele ‘Edilson, Edilson’ (batendo palmas), eu olhei de cabeça baixa, com vergonha, entrando no corredor, e ele ‘Você salvou a minha pele, a minha vida, até garrafa d’água que eu tomo aqui falam que é champanhe’. Não foi uma coisa má dele, foi uma coisa ‘Puxa, que alívio'”, contou Edilson.

“Pena perpétua”

Durante a entrevista, Edilson revelou que chegou a atentar contra a própria vida após ser descoberto no escândalo. O ex-árbitro diz viver uma pena perpétua.

“Eu só sabia chorar. E ligava pra minha mãe e com o revólver ali. Tentei três, quatro vezes, suicídio. Disparei, estourei a telha. Tentei atirar e a bala passou de raspão duas vezes”, revelou.

“Pra mim sim, pra mim é (uma pena perpétua). É vergonha pra mim, claro que é. A pessoa tem que sentir, como eu senti, como eu sofri nos meus empregos. Trabalhava uma semana, planejava comprar um fogão, já era mandado embora antes”, afirmou.



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